América Fora de Aerovia: SkyWest Airlines

Compartilhe:

Receba notícias no seu celular, acesse o canal do OHM no Telegram

Vamos ao último capítulo da extensão da série América Fora de Aerovia, mas hoje, ao invés de falarmos de uma empresa aérea, vamos falar de uma empresa aérea que existe apenas para prestar serviços a outras empresas aéreas. Vamos falar da SkyWest Airlines!

A empresa começou com um grupo de amigos adquirindo uma pequena empresa aérea em 1972, a Dixie Airlines, para oferecerem serviços de manutenção de aeronaves, escola de voo, ambulância aérea e fretamentos. Além disso, com ela vieram direitos de operar voos regionais. Pouco depois, o nome foi mudado para SkyWest Airlines. A empresa começou com 4 aeronaves de pequeno porte e 3 pilotos em tempo parcial, estando baseada em St. George, uma pequena cidade no estado de Utah. Em Junho daquele ano, começou as operações regulares, mas nos anos seguintes teve que se virar como dava. Transportou de tudo, inclusive imigrantes ilegais mexicanos até a fronteira.

Mas em 1974, a situação permanecia ruim e pensaram até em declarar a falência da empresa. Tentaram vender a empresa, mas não conseguiram. Ofereceram até doar a empresa gratuitamente, mas ninguém quis. Assim, tiveram que lidar com aquele abacaxi. A sorte é que um deputado, irmão de um dos fundadores da empresa, conseguiu 15 mil dólares de subsídio, o que ajudou a salvar a empresa. Isso veio acompanhado de uma grande reestruturação e recuperação. Em 1977, assinou seu primeiro acordo interline, com a American Airlines. Assim, os passageiros podiam com uma passagem embarcar em um voo da SkyWest, fazer conexão em outro aeroporto e embarcar em um voo da American. Neste momento, ela operava 5 Navajo Chieftain.

Foto: Eduard Marmet/Wikimedia Commons

Em 1978, se tornou de fato uma linha aérea certificada, sendo a terceira regional na história a obter essa certificação. Além disso, recebeu do governo subsídios para voos para o Page, no Arizona, além de diversas outras rotas. Também em 1978, recebeu o avião que se tornaria sua cara, o Farchild Metroliner II, um bimotor com capacidade para 19 passageiros.

A era da desregulamentação começou e ela aproveitou a oportunidade. Como as grandes companhias deixavam cidades menores sem atendimento, ela chegava a essas cidades com seus Metroliners. Em 1982, inaugurou seu primeiro sistema de reserva computadorizado, para suportar melhor sua expansão, que era cada vez maior. A era de uma pequena empresa ia ficando pra trás, e ela ia ficando cada vez maior, o que exigiu uma maior profissionalização de sua gestão.

Foto: Aero Icarus/Wikimedia Commons

No embalo, ela chegou ao lucrativo e competitivo mercado da Califórnia, a partir de Las Vegas. Logo depois, ela fez sua primeira grande aquisição, a Sun Aire. Em 1985, a fusão das 2 foi concluida e a SkyWest praticamente dobrou de tamanho. A frota combinada consistia em 26 Metroliner, sendo a maior frota do modelo no mundo. Junto dessa fusão, houveram migração de sistemas, o que cada vez mais tornava a SkyWest mais profissional. Nessa mesma época, veio o primeiro dos acordos que tornaria a sua cara no futura: ela se tornou afiliada da Western Airlines. Um ano depois, a Delta comprou a Western e a SkyWest entrou para o sistema Delta Connection.

Em 1986, chegou o primeiro Embraer 120 Brasília. O avião quebrou paradigmas, por que diferente do Metroliner, o Brasília era um avião totalmente pensado para operações regionais. Inicialmente, ele veio para complementar a operação do Metroliner. Ao longo dos anos, mais unidades foram chegando e a expansão prosseguia a todo o vapor.

Foto: redlegsfan21/Flickr

Em 1994, um grande marco para a empresa: ela integra a frota o novissimo Canadair CRJ. Ele tinha diversas vantagens quanto aos Metros e aos Brasília, como voar mais alto, mais rápido e mais longe. Não foi a mais suave das transições, mas no fim tudo deu certo e ele foi mais uma ferramenta no crescimento da SkyWest. No ano seguinte, ela se tornou uma das maiores operadoras do aeroporto de Los Angeles, recebeu mais CRJs e emplacou mais um contrato de Codeshare, dessa vez com a Continental Airlines.

Em 1996, os Metroliner, que trouxeram a empresa desde os anos 80, foram integralmente substituídos pelos Brasília. Nesse momento, a frota passou a ser composta apenas por 10 CRJs e 50 Brasílias. No ano seguinte, mais um contrato de afiliação, com a United Airlines. Em 1998, começou a operar seu primeiro voo internacional, de Salt Lake City para Vancouver, no Canadá, operando para a Delta Connection. Além disso, era o voo mais longo da empresa. Mais encomendas foram feitas, mais aeronaves foram entregues e assim a frota chegou a 100ª aeronave.

Foto: redlegsfan21/Flickr

O ano 2000 chegou e com ele vários prêmios, como o de melhor empresa regional do ano e empresa regional melhor gerenciada. No ano seguinte, mesmo com os atentados de 11 de Setembro, ela entrou em novas rotas, para se adequar a nova realidade de menos passageiros voando.

Em 2002 ela novamente ganha o prêmio de melhor regional e além disso, se torna uma companhia com 100% das operações por contrato de venda de capacidade. A fase boa persistiu nos próximos anos, com a renovação de contratos com as empresas para quem operava, expansão nos contratos existentes, novos pedidos de jatos regionais, mais hubs, chegada dos CRJ700, expansão da frota para mais de 250 aeronaves e muitos prêmios, como os prêmios de companhia aérea mais pontual em 2003 e 2004, companhia nº 1 em 2005, prêmio de reconhecimento de manutenção do FAA entre 2005 e 2007, premio de confiabilidade da Bombardier em 2008 e citação na Forbes!

Foto: Alan Wilson/Wikimedia Commons

A década de 2010 também começou com prêmios, como mais 2 prêmios do FAA (2010 e 2011) e um da Bombardier, mas também com novos contratos. Ela passou a operar para a Alaska Airlines e para a US Airways, além de dar um importante apoio na fusão United/Continental. Em 2012, assinou acordo com a American Airlines, passando a ser de fato da American Eagle.

Foto: AvgeekJoe/Flickr

Entre 2013 e 2015, mudou a participação da Embraer na frota da SkyWest: saíram os Brasília e entraram os Embraer 175, que passaram a operar para a Alaska Airlines e para a Delta Airlines. Com essa transição, toda a frota da SkyWest passou a ser de aviões a jato.

Foto: Colin Brown/Flickr

Hoje a empresa de qual muitos só ouvem falar por alto, por ter pouquissimos aviões com a própria pintura, opera um total de 454 aeronaves, que estão divididas dessa forma:

32 Embraer 175 operando para a Alaska Airlines, 67 CRJ700 operando para a American Eagle, 12 CRJ200, 6 CRJ700, 39 CRJ900 e 67 Embraer 175 operando para a Delta Connection, 1 CRJ200, 102 CRJ200, 19 CRJ700 e 90 Embraer 175 operando para a United Express e 1 CRJ100, 12 CRJ200 e 6 CRJ900 operando com as cores próprias da SkyWest.

Agradeço a todos por ter acompanhado essa série aqui, espero que tenham gostado do conteúdo! Em breve, mais novidades!

22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".