América Fora de Aerovia: Sun Country Airlines

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Mais uma semana, mais um capítulo da extensão da série América Fora de Aerovia! Hoje, vamos de Sun Country Airlines.

Assim como na história da Frontier, que contamos a 2 semanas, essa companhia de alguma forma originou de outra falência. Isso por que, um grupo de ex-tripulantes, mecânicos e funcionários administrativos da Braniff (que havia falido meses antes), haviam se juntado para inaugurar uma nova empresa, que começou em janeiro de 1983. Era a Sun Country Airlines, operando com um Boeing 727-200 e fazendo voos charter. Ao longo da década, foi incorporando mais aeronaves, como um McDonnell-Douglas DC-10-40 (para realizar voos fretados de alta densidade ou longo curso) e outros 727.

Foto: Pedro Aragão/Wikimedia Commons

Em 1988, sua primeira (de uma série de várias ao longo de toda a história) venda aconteceu: um banqueiro de Minneapolis comprou a empresa e injetou dinheiro na expansão. No ano seguinte, entrou na Frota Aérea da Reserva Civil, da Força Aérea Americana, e fez vários dos voos de transporte de soldados para a Operação Tempestade no Deserto, na Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991. Graças a essas operações, teve um grande lucro no ano de 1991, adquiriu alguns 727 e DC-10 adicionais e caiu nas graças dos operadores turísticos, fazendo voos charter inclusive para o Nordeste Brasileiro.

 

Foto: Aero Icarus/Flickr

Em 1997, ocorreu sua segunda venda, para a The Mark Travel Corporation. Sob essa gestão diversas mudanças ocorreram, como uma grande renovação de frota e reformas de aeronaves. Além disso, as companhias aéreas gerenciando melhor a disponibilidade de assentos, e com isso, a fatia de mercado que a Sun Country atendia estava ameaçada. Porém, ela soube se reinventar e passou de companhia charter a companhia aérea regular. Em 2001, houve uma grande renovação de frota, com a substituição dos 727 e DC-10 pelo recém-lançado 737 Next Generation.

Porém essa transição de frota, que era pra ser um bom sinal, acabou vindo em péssima hora: no mesmo 2001, os Estados Unidos passaram pelos ataques terroristas de 11 de Setembro, o que impactou fortemente a aviação. Assim, em Dezembro de 2001, a companhia interrompeu as operações e entrou com pedido de falência, mas ainda não foi o fim.

Foto: Tomás Del Coro/Wikimedia Commons

Isso por que, em abril de 2002, um grupo de investidores, unidos como MN Airlines, compraram os ativos da empresa e reabriram a empresa. A renovação e padronização com o 737-800NG continuava, e nesse primeiro momento ela voltou as suas origens, lá nos anos 80, e operou somente fretamentos. Porém sem demora, voltou a operar rotas regulares e aos poucos voltou a lucratividade.

Em 2006, um 4º grupo de donos assumiu a empresa: o Petters Group e o Whitebox Advisors, porém foi uma gestão controversa. Em 2008 os EUA entraram em Recessão, o que afetou a empresa, que teve que realizar demissões, devolver aeronaves e cortar salários dos funcionários. Porém, ao mesmo tempo, uma grande fraude financeira foi descoberta, o que envolveu inclusive o FBI! Com isso tudo, a companhia voltou mais uma vez a recuperação judicial, mas além de se recuperar, agora a missão era deixar o Petters Group. A redução de salário foi revertida e os funcionários seriam restituídos pelo tempo em que passaram com o salário pela metade.

Foto: Konstantin von Wedelstaedt/Wikimedia Commons

Tudo isso deu certo e em 2009 a empresa já havia restituido todos os funcionários, além de ter um lucro de 1 milhão de dólares. Em 2010 ensaiou uma expansão e em 2011 finalmente deixou a recuperação judicial e chegou a seu quinto próprietário, a família Davis. Ao longo dos anos seguintes, a lucratividade permaneceu, assim como sua expansão.

Depois de quedas nas receitas previstas e trocas de CEO, a empresa foi vendida pela última vez, para a Apollo Global Management. Essa realizou uma verdadeira revolução, com um grande retrofit, aquisição de novas aeronaves, programa de fidelidade e novos softwares para o gerenciamento da empresa. Em 2019, para tirar a dependência do mercado de lazer na baixa temporada, a Apollo vendeu parte da participação na empresa para a gigante varejista Amazon. Assim, a Sun Country passou a operar alguns Boeing 737-800 cargueiros com a marca da Prime Air (o braço cargueiro da Amazon).

Foto: Ganesh Panner/Flickr

Apesar de tantas reviravoltas, hoje a empresa encontrou seu caminho e segue em passos firmes e concisos, se destacando como uma das poucas empresas a se manter lucrativa durante a pandemia. Sua frota contém 41 aeronaves, sendo 1 Boeing 737-700 para fretamentos, 30 Boeing 737-800 de passageiros e outros 10 Boeing 737-800 Cargueiros, em operação para a Prime Air.

22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".