América Fora do Radar: Northwest Airlines

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Olá pessoal! Como tudo que é bom acaba, hoje estamos no último capítulo da série América Fora do Radar e o assunto é a Northwest Airlines!

Ela foi fundada em Setembro de 1926, como Northwest Airways, com foco no transporte de Correio Aéreo (como praticamente todas as companhias dessa época). Mas em 1927 ela começou a transportar passageiros. No ano seguinte já voava rota internacional, para Winnipeg, no Canadá.

Hamilton H-47 pertencente a Northwest e que foi restaurado. Foi um dos primeiros modelos operados pela Northwest. Foto: RuthAS/Wikimedia Commons

2 anos depois, um grupo de empresários compraram a companhia e em 1933, passou a operar na rota Transcontinental Norte, para Seattle. Por conta do escândalo do Correio Aéreo, passou a se chamar Northwest Airlines em 1934. Nessa época, ela também patrocinou Charles Lindgergh, um pioneiro da aviação norte-americana, em um voo de teste para o Japão. O voo tinha de especial o fato de ser realizado voando pelo Alasca, o que era uma novidade, pois outras empresas até então voavam para a Ásia passando pelo Havaí, diversas ilhas ao longo do Pacífico e as Filipinas.

Douglas DC-7C “Seven Seas” da Northwest. Foi um modelo muito comum em linhas aéreas de todo o mundo antes da era do Jato, e na Northwest não podia ser diferente – como não foi. Foto: Mel Lawrence/Airliners.net

A rota deu certo e a Northwest começou a investir na infraestrutura da região, por que durante a 2ª Guerra, ela transportou suprimentos e soldados dos Estados Unidos Continentais para o Alasca. Foi daí que veio as tradicionais cores vermelhas da empresa: como o Alasca é um estado conhecido por ter muito gelo e neve e as condições climáticas nem sempre ajudarem, as caudas dos aviões passarama a ser pintadas de vermelho, pra que fossem visíveis mais fácil em meio a neve.

Lockheed L-188 Electra II da Northwest. Uma das tantas operadoras do modelo, aqui visto no solo de Spokane. Foto: Ken Fielding/Wikimedia Commons

Após a Guerra, a Northwest fincou raízes na rota e se tornou uma das principais companhias a chegar ao Oriente pelo Pacífico Norte. Além disso, colocou funcionários no Aeroporto de Haneda, em Tóquio, para iniciar os voos diretos para o Japão em Julho de 1947, operando com o Douglas DC-4. De lá, os voos passaram a prosseguir para outros locais na Ásia, como Seul, na Coréia do Sul, Okinawa, no Japão e Xangai, na China, mas esses serviços foram interrompidos por conta da revolução comunista que expulsou o governo vigente para a Ilha de Formosa, dando origem assim a Taiwan, lugar onde a Northwest também operou a partir de 1950.

Douglas DC-8 da Northwest. Como grande operadora dos aviões a pistão da Douglas, era natural que ela operasse os jatos da Douglas e foi com ele que ela entrou na era do jato. Mas isso não garantiu a permanência dele em operação. Foto: Dean Straw/Airliners.net

Nessa época, ela também colaborou para a criação da Japan Airlines (a JAL), cedendo aviões e tripulantes. No ano seguinte, juntamente com a Pan Am, ficou sendo as 2 companhias aéreas responsáveis por voarem para o Japão, e ganhando diversos direitos de tráfego para voos com escalas em Tóquio, podendo voar para quase toda a Ásia.

Foi com o Boeing 707-320 que a Northwest mais se identificou e foi a cara dos voos mais longos na era do jato, aqui ele é visto decolando de San Francisco. Foto: RuthAS/Wikimedia Commons

 

Assim ela passou a se chamar Northwest Orient, exatamente por conta desses voos… ao Oriente! Vale lembrar que ela era concorrente forte da Pan Am nessas rotas, então ela sempre procurava oferecer os melhores aviões disponíveis. Ela operou aeronaves como o Boeing 377 Stratocruiser, depois recebeu os Douglas DC-6 e os DC-7. Em casa, ela operava com o famoso Lockheed L-188 Electra, para os voos transcontinentais entre Nova York e Seattle, que dava suporte aos seus voos para a Ásia. Além desses voos, os Electras operavam em diversos aeroportos em todo o país, chegando inclusive a Flórida.

Boeing 727-100 da Northwest, aqui na fase onde ela se identificava como “Northwest Orient”. Ela foi uma grande operadora do modelo. Foto: Richard Silagi/Wikimedia Commons

 

Nos anos 60 veio a era do jato e a Northwest entrou nela com seu Douglas DC-8, porém eles não duraram muito. Logo depois, ela decidiu comprar os Boeing, trazendo os Boeing 720 e os 707-320, com esses últimos ela conseguiu fazer voos transpacíficos diretos, sem escalas. Além disso, também trouxe o 727-100 e o 727-200. Aos poucos ela foi aposentando seus aviões a pistão e na década de 70 trouxe o Boeing 747, que faziam voos transpacíficos e rotas domésticas de alta densidade.

Boeing 747-100 da Northwest decolando de Shannon. Foto: Aero Icarus/Wikimedia Commons

 

Com a aviação desregulamentada, ela começou a voar direto para diversas cidades na Ásia, entrou em diversos voos para a Europa, além de aumentar a sua presença em casa. Em Outubro de 1986, se fundia a Republic Airways, que era outra companhia baseada em Minneapolis. Era a forma dela competir com a United, que além de já ser forte em voos domésticos, tinha entrado também nos voos Transpacíficos. De início, a fusão deu muitos problemas de produtividade, lucro e desempenho, porém problemas superados, ela se fortaleceu cada vez mais. Com isso e as expansões para a Europa, ela tirou o “Orient” no nome, prevalecendo apenas Northwest mais uma vez.

Com a formação da Wings Alliance, a Northwest fez uma pintura híbrida em um de seus DC-10-30, matrícula N237NW: o lado direito teria as cores da KLM na fuselagem e da Northwest no estabilizador vertical. Foto: Matthew Lee/JetPhotos.net

 

Já o lado direito tinha as cores da Northwest na fuselagem e as da KLM no estabilizador vertical. Uma curiosidade desse DC-10 é que ele pertenceu a Varig por 17 anos, operando de 1980 a 1994 pela Varig e de 1994 a 1997 pela Pluna, que a época pertencia a Varig, em ambas com o prefixo PP-VMW. Depois ele foi pra Northwest, onde recebeu essa pintura. Nessa foto, ele pode ser visto em Schipol, aeroporto de Amsterdã. Foto: Konstantin von Wedelstaedt/Wikimedia Commons

Em 1989 a pintura mudou e no embalo, ela se tornou cliente lançadora do Boeing 747-400, comprando inclusive o primeiro protótipo do modelo. Ainda nesse ano, ela foi comprada foi um grupo de investimentos, que envolvia até a KLM e houveram diversas vendas, tanto de terreno como de aeronaves. Com a guerra do Golfo e outros problemas, ela quase entrou em proteção contra falência. A solução encontrada foi fazer acordos com funcionários, e não só teve sucesso evitando a falência, mas ser lucrativa, o que aconteceu em 1993. Nesse ano, ela começou sua aliança com a KLM, formando a Wings Alliance, no entanto ficou só entre Northwest e KLM mesmo. Mas não foi tão ruim: ela deixou diversos destinos europeus pra KLM atender e focou nos destinos domésticos.

Boeing 747-400 da Northwest na curva para a final da famosa pista 13 do Aeroporto Kai Tak, em Hong Kong. Essa foto foi feita em 1997, 1 ano antes do fechamento do aeroporto. Foto: JetPix/Wikimedia Commons

Além disso, assim como outras, durante a década de 90 ela contou com a tecnologia para reduzir custos, como por exemplo implantando check-in por autoatendimento em 1997 e check-in online a partir de 2000. Com isso, ela tinha a reputação de nunca aumentar tarifas, enquanto as demais aumentavam. Isso durou algum tempo, mas ela acabou cedendo.

Boeing 757-300 da Northwest. Ela foi uma das raras operadoras dessa versão do 757. Foto: Cory W. Watts/Wikimedia Commons

 

2001 chegou e mesmo antes dos atentados, ela estava já renegociando custos e demitindo funcionários, porém com eles, ela teve de fazer diversas mudanças. Primeiro, teve de aposentar aeronaves antigas, foi o caso do Boeing 727 e do DC-10-40. Também teve que parar diversos DC-9, 747, 757 e A320. Além disso, cortou diversas amenidades, o que incluiu o sistema de entretenimento em voos domésticos.

Airbus A320 da Northwest. Ao longo dos anos, ela se tornou uma grande operadora dos aviões da Airbus e na fusão com a Delta, influenciou-a a fazer o mesmo. Foto: Konstantin von Wedelstaedt/Wikimedia Commons

A parceria com a KLM finalmente foi adiante e em Setembro de 2004 formaram a SkyTeam. Mas nem isso salvou o caixa da companhia. Assim, a temida proteção contra falências que foi evitada em 1993, aconteceu em Setembro de 2005. Um fato irônico é que a Delta pediu proteção contra falência apenas alguns minutos antes da Northwest. Com essas 2 adições (considerando que United Airlines e US Airways), as maiores companhias dos EUA já estavam em proteção contra falência, sobrando apenas a American e a Continental de fora.

Presentes nessa foto em Schipol estão: um Airbus A330 da Northwest, modelo que foi o responsável por substituir o DC-10, que está ao lado do A330 e atrás um Boeing 747 da KLM, parceira das 2. Foto: Aeroprints/Wikimedia Commons

No caso da Northwest, em 2007 ela conseguiu deixar a temida proteção e com isso anunciou alguns novos destinos para a China. Porém em 2008, ela e a Delta, que haviam entrado juntas na proteção contra falências, se fundiram. Foi decidido que o nome da Delta prevaleceria. Assim, em 2010, saia dos céus o nome da Northwest, mas não sem antes influenciar bastante a Delta. Graças a ela, a Delta que era uma grande operadora de Boeing, resolveu operar os Airbus de forma massiva. Os Boeing 747 também operaram por um bom tempo na Delta e posteriormente chegaram a inclusive ir para o Delta Flight Museum, inclusive o protótipo do 747. Um fim bem digno para a empresa!

Muito obrigado a todos por terem acompanhado a série e peço desculpas pelos atrasos no lançamento dos capítulos, mas nas próximas isso tudo será sanado!

22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".