América Fora do Radar: US Airways

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Olá pessoal, penúltimo capítulo da série América Fora de Aerovia, e hoje vamos a história da US Airways!

Ela começou como All American Aviation, em 1937, como uma empresa de patentes. A empresa que realmente operava era a Tri-State Aviation. Ela começou fazendo correio aéreo e só em 1949, começou a operar passageiros e passou a se chamar All American Airways. Porém, era só uma das primeiras mudanças! Só 4 anos depois, no primeiro dia de 1953, ela passou a se chamar Allegheny Airlines! Ela operava na região da capital Washington, atendendo a Newark, Cleveland, Boston e chegou até a Toronto, no Canadá.

Um Convair 580 da Allegheny. Foto: Michel Gilliand/Wikimedia Commons

Ela operou diversos tipos de aviões a pistão, como o Convair 580 e o Farchild FH-227, versão do Fokker F-27 sobre licença. Em 1965, chegou seu primeiro avião a jato, sendo o Douglas DC-9-10. Depois, ela recebeu outras versões do DC-9, além do 727-100 e 727-200. Ao se fundir com a Mohawk Airlines, em 1972, ela também recebeu o Bac One-Eleven. Na década de 70, cresceu bastante, sendo a 9ª maior companhia aérea do mundo, no entanto, o crescimento fez a empresa receber um nada glorioso apelido de “Agony Air”.

DC-9 da Allegheny no Aeroporto JFK, em Nova York. Foto: clipperarctic/Wikimedia Commons

Em 1978 veio a desregulamentação e no ano seguinte, mudou de nome para USAir e assim expandiu-se mais por todo o país. Ela foi cliente lançadora do Boeing 737-300, graças a necessidade de aviões maiores para atender ao mercado da Flórida, assim elas trabalharam juntas no desenvolvimento do 737-300. Em 1986, comprou a sorridente PSA (Pacific Southwest Airlines), o que lhe permitiu maior presença na Costa Oeste, e em 1989, comprou a Piedmont Airlines, que lhe permitiu maior presença na Costa Leste.

Boeing 727-200 Advanced da USAir. Ela foi cliente do modelo desde os tempos de Allegheny. Foto: Jon Proctor/Wikimedia Commons

Na década de 1990, ela começou a voar para a Europa, voando para Londres, Paris e Frankfurt, e nisso fez parceria com a British Airways, uma das primeiras parcerias no Atlântico, mas não foi longe, já que depois a British quis se anunciar a American. Nessa mesma época, ela comprou a icônica Trump Shuttle (empresa do atual presidente dos EUA, Donald Trump, e que mencionamos na história da Eastern). Além disso, ela fez um pedido firme de 120 aeronaves da família A320, com mais 280 opções de compra.

Em 1997, veio mais uma mudança de nome, para US Airways. Nessa mesma época, lançou uma subsidiária de baixo custo, chamada MetroJet, operando com o 737-200. Em 1998, voltou a Airbus e pediu 7 Airbus A330-300, mais 23 opções de compra. Com isso, ela ia expandindo seus voos para a Europa. Porém, a situação não era boa e os custos de operações estavam só subindo.

Boeing 737-300 da USAir, modelo que a companhia foi cliente lançadora. Foto: Aero Icarus/Wikimedia Commons

Ela já começou 2000 cortando na carne, aposentando aeronaves antigas e trocando pelos novos A320. Ainda em 2000, ela chegou a anunciar a aquisição dela por parte da United Airlines, no entanto com problemas financeiro das 2 e o governo norte-americano colocando diversos impecilhos, em Julho de 2001 a United desistiu da aquisição.

No entanto, com os ataques de 11 de Setembro e o prejuízo que se seguiu a todas as companhias, ela acabou fazendo mais cortes na carne. Encerrou a filial MetroJet, deu licença para diversos funcionários e entrou na Proteção Contra Falências, no entanto no ano seguinte ela recebeu um empréstimo do governo norte-americano e deixou a proteção já com custos reduzidos, mas ainda acima da média de mercado. Assim, ela continuava a procurar parceiros e dinheiro novo, mas no meio do caminho entrou de novo em proteção contra falências.

Boeing 767-200ER da US Airways. Ao contrário das demais empresas, esse foi um dos únicos widebodys usados pela empresa até a chegada dos A330. Foto: Paul Spijkers/Wikimedia Commons

Nessa época tentou várias coisas, como um hub em Fort Lauderdale para atender a América Latina. Tentou negociar custos de combustível e com funcionários e também lidou com um protesto de funcionários, que estavam insatisfeitos com a condição. Mas não foram só pesadelos, isso por que em Maio de 2004 entrou para a Star Alliance.

Alguns Airbus A319 e A320 da US Airways no aeroporto de Phoenix, no Arizona. Foto: aeroprints.com/Wikimedia Commons

Em 2005, se fundiu com a American West e a empresa combinada decidiu por usar o nome da US Airways. Novas encomendas de aeronaves vieram, incluindo do Embraer 190, se tornando a primeira legacy norte-americana a usar o modelo. No entanto, ela não estava com a moral alta no mercado por ter recebido muitas reclamações, sendo a pior companhia em termos de satisfação. No entanto, ela conseguiu melhorar seu desempenho. 2008 veio e uma fusão se alinhava com a United Airlines, no entanto, ambas desistiram e a United se fundiu com a Continental, como vimos na semana passada.

Embraer 190 da US Airways. Junto com a JetBlue, foi uma das poucas operadoras do modelo. Foto: Anthony92931/Wikimedia Commons

Em 2009, ocorreu o famoso acidente com o voo 1549, conhecido como Milagre do Rio Hudson. Resumindo, um A320 da empresa, após decolar do aeroporto de LaGuardia, atingiu um bando de Gansos Canadenses, o que fez a aeronave perder os 2 motores. O Comandante Sully Sullenberger decidiu pousar no Hudson e com isso, todas as vidas se salvaram.

N106US, aeronave do voo US1549, no Carolinas Museum Aviation, no aeroporto de Charlotte, Carolina do Norte. Foto: RadioFan/Wikimedia Commons

No mesmo ano, ela recebeu seu primeiro A330-200 e começou a voar pela primeira vez para a América do Sul, voando de Charlotte para o Rio de Janeiro com o 767-200. Os anos se passaram e em 2012, a US Airways mostrou interesse em se fundir com a American Airlines, que estava em uma situação ruim. Dessa vez, o nome da US Airways que iria sair de cena, já que a American tinha um nome mais forte, enquanto a gestão ficaria toda a cargo do time da US Airways.

Airbus A330-200 da US Airways no Aeroporto Charles de Gaulle em Paris. Foto: Aldo Bidini/Wikimedia Commons

A fusão chegou a ser questionada pelo Departamento de Justiça e alguns estados, no entanto, um acordo foi feito e a fusão foi concluída. O nome US Airways começou a sair de cena em 2015, quando em Abril, o callsign “Cactus”, da US, deixava de ser utilizado. Em Outubro, a marca finalmente foi descontinuada. O último voo foi operado por um Airbus A321. Era o voo 1939, ele partiu como US Airways 1939 e pousou como American 1939, que partiu de Charlotte e pousou em São Francisco, com escala em Phoenix. Chegava ao fim uma longa história escrita pela US Airways.

22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".