Retomada da aviação brasileira: como fechamos 2020?

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Olá pessoal! Em Agosto eu fiz um texto aqui no blog resumindo como estava a retomada da aviação (clique aqui). De lá pra cá muita coisa mudou. Mas muita mesmo! E pra melhor! O Brasileiro sentiu confiança para voltar a viajar e com isso, o movimento não para de crescer nos aeroportos. Isso fez com que praticamente todas as companhias se movimentassem.

A Azul, por exemplo, recontratou diversos funcionários que haviam sido demitidos, encerrou o acordo coletivo de trabalho com os tripulantes, permitindo assim que todos pudessem voltar a voar o mesmo número de horas (e, por consequência, ganhando o mesmo salário) de antes da pandemia e ainda por cima abriu contratações para diversas áreas, além de já ter colocado na ativa diversas aeronaves que estavam estocadas e ter recebido novas aeronaves nesse período.

Airbus A320neo da Azul. Foto: Rafael Luiz Canossa/Wikimedia Commons

A Gol não encerrou o acordo de trabalho com seus tripulantes, mas ainda assim já há casos onde não está sendo possível liberar as folgas sociais conforme acertado no acordo por aperto na escala. Além disso, contratou diversos funcionários para aeroportos em todo o país e com a volta do 737 Max, foi a primeira empresa do mundo a colocar as 7 aeronaves da empresa de volta em operação, além de retirar do armazenamento a maioria 737-700 e 737-800.

Boeing 737-800 da Gol. Foto: Rafael Luiz Canossa/Wikimedia Commons

A Latam, mesmo em recuperação judicial, também vem se aproveitando desse momento de retomada. Diversas aeronaves da empresa que estavam estocadas estão voltando as operações aos poucos. Além disso, já vislumbra para o 2º Semestre do ano que vem a saída da Recuperação Judicial que está correndo nos Estados Unidos.

Airbus A320-200 da Latam Brasil. Foto: Alexandro Dias/Flickr

A retomada da aviação brasileira é tão grande que vem contribuindo para os números de recuperação na América Latina, sendo uma das retomadas mais consistentes de toda a região, dados reconhecidos pela IATA inclusive. Então, assim como Agosto, vamos focar nos principais hubs das companhias aéreas de Gol, Latam e Azul, falando assim dos aeroportos de Guarulhos, Congonhas, Galeão, Confins, Brasília, Salvador, Recife e Campinas. No final, vamos mostrar um gráfico do CGNA que contém os dados de recuperação de todos os aeroportos por eles analisados, em um pequeno “overview”. Aí falaremos também dos aeroportos de Porto Alegre, Santos Dumont, Curitiba, Fortaleza, Cuiabá, Belém, Manaus, Florianópolis, Foz do Iguaçu e Maceió.

Os dados foram extraídos do Relatório Comparativo de Tráfego Aéreo, disponibilizado pelo CGNA (Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea), divisão do DECEA. O relatório completo pode ser visto por esse link.

São Paulo/Guarulhos (Hub da Latam e da Gol):

Vista Aérea do Aeroporto de Guarulhos. Foto: GRUAirport/Divulgação

O principal aeroporto do país ainda conserva o título de importante polo de conexões, mesmo com uma volta de diversos voos fora dele. Além disso, as movimentações internacionais apesar de serem poucas, ainda existem (embora devido ao movimento, estejam todas no Terminal 3, liberando todo o Terminal 2 para voos domésticos). Hoje, o aeroporto mais que dobrou suas operações em relação a Julho, tendo um total de 14.861 operações, sendo uma média de 580 operações (contra 316 por dia anteriormente). 60% do movimento anterior em relação ao mesmo mês foi atingido.

São Paulo/Congonhas (Hub da Latam e da Gol):

Aeroporto de Congonhas. Foto: Infraero/Divulgação

O aeroporto central da capital paulista respira um pouco aliviado após a forte tormenta que passou. As companhias voltaram a usar massivamente o aeroporto, sendo que além dos tradicionais voos corporativos, os voos turísticos tem ganhado bastante valor. O aeroporto registrou em Novembro um total de 8956 movimentos, sendo um total de 47,3% do movimento do ano anterior para o mesmo mês e quase o dobro do movimento registrado em Julho (um total de 4691 operações). A média diária tem sido de 352 operações.

Galeão (Hub da Gol):

Aeroporto do Galeão. Foto: RioGaleão/Divulgação

Se para os aeroportos paulistas, o drama parece já estar longe, a situação do Rio é a pior entre todas citadas aqui. Apesar das operações terem crescido, o aeroporto não chegou as 3000 movimentações e é possível perceber que houve a perda de quase 300 movimentações em relação a Outubro, sendo um dos poucos aeroportos que regrediu dentro da recuperação. Apenas 36,2% das operações retornaram em comparação com o mesmo período do ano anterior. No entanto, há um alento: a média de operações diárias sofreu um aumento na semana 51, chegando a 130 operações.

Com as companhias preferindo operar apenas no Santos Dumont e um internacional ainda afetado, o Galeão fica muito subutilizado. O caso mais emblemático é o da Azul, que após receber a homologação do A320neo naquele aeroporto tem feito muitos voos longos partindo dali, como para Recife e Cuiabá. O número de voos alternados para o Galeão tem sido alto, inclusive um dos alternados foi registrado em virtude do sistema do avião ter rejeitado o pouso no Santos Dumont. Talvez por isso, a Azul tenha decidido reabrir a base, com voos apenas para o seu hub de Viracopos, em Campinas.

Confins (Hub da Azul):

Aeroporto de Confins. Foto: BHAirport/Divulgação

Após ver uma grande ascensão, alcançando importantes números e em seguida indo direto para o fundo do poço, Confins finalmente está experimentando uma retomada acelerada. Com a reabertura da cidade, os voos também voltaram, em grandes acrescimos, tanto os nacionais como os internacionais. Além disso, o aeroporto tem atraido novas operações, como da Eastern (que já falamos aqui), irá operar voos internacionais para Nova York, Miami e Boston. No doméstico a ITA Linhas Aéreas, demonstrou interesse em ter um hub na cidade.

Em novembro, o aeroporto registrou um total de 4701 operações, mais do que o triplo de operações registradas em Julho (1564 operações). O número de operações diárias saltou de 67 para 207, mais que o triplo. 57% do movimento pré-pandemia foi recuperado em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Brasília (Hub da Latam e da Gol):

Aeroporto de Brasília. Foto: Inframerica/Divulgação

O aeroporto da capital federal também tem tido um momento bem interessante de retomada. Durante esse período, melhorias para os passageiros foram feitos no aeroporto e a parte de voos internacionais tem tido bons acenos. Com a volta do 737 Max, os brasilienses podem sonhar com a volta dos voos da Gol, além das intenções da Eastern de operar naquela cidade.

Em Julho, registrou 5005 operações, com uma média de 206 operações diárias. Esse mês, registrou um total de 8551 operações, com uma média de 359 operações. 65% do movimento pré-pandemia foi recuperado, comparando com o mesmo período do ano anterior.

Salvador (Novo Hub da Gol):

Aeroporto de Salvador. Foto: Vinci Airports/Divulgação

O bom momento de Salvador também tem sido bem otimista e promissor, com a Gol obtendo bons frutos na operação na cidade e a Azul também investindo no aeroporto. O momento é excelente para os passageiros baianos. Em comparação com Julho, o aeroporto praticamente dobrou a quantidade de movimentos, se em Julho atingiu 2479 movimentos, em Novembro atingiu 4857 movimentos, sendo que já recuperou um total de 71% dos movimentos em relação ao ano anterior. A média de movimentos por dia saltou de 100 para 211, também dobrou.

Recife (Hub da Azul):

Aeroporto de Recife. Foto: Portal da Copa/ME

Outro aeroporto que tem visto uma retomada bem consistente em comparação a Julho, com a Azul investindo fortemente no aeroporto principalmente considerando o seu posicionamento de atender bastante a demanda de lazer. Assim como Salvador, também quase dobrou sua movimentação, saltando de 2549 para 5074 movimentações, sendo que recuperou 74% dos movimentos em relação ao mesmo mês do ano anterior. A média de operações mais que dobrou, foi de 96 para 218 movimentos.

Campinas-Viracopos (Hub da Azul):

Aeroporto de Campinas. Foto: Portal da Copa/Wikimedia Commons

Só a 2ª melhor recuperação do Brasil e a melhor entre os hubs! A melhor recuperação do Brasil tem sido a de Belém, com 94% dos movimentos já recuperados, mas considerando os hubs, Campinas tem a melhor, tendo já recuperado 89% do movimento! Um total de 8264 movimentos foram registrados, contra 4452 movimentos de Julho (que já era uma das melhores recuperações do país). Naquele mês foram registradas 161 operações, agora a média atual é de 301 operações!

Na mesma semana do ano passado, a média diária registrada foi de 318 operações, e a média mensal de novembro foi de 9306 operações! Uma grande recuperação, não é mesmo?

Recuperação geral

Esse gráfico mostra a recuperação de todos os aeroportos:

As melhores situações são as de Campinas, Belém, Manaus e Maceió, que recuperaram mais de 80% dos movimentos, com destaque para Maceió, que registrava apenas 31% dos movimentos pré-pandemia em Julho e hoje registra 84% dos movimentos agora em Novembro. Belém foi a melhor de todas, título que manteve de Julho pra cá (quando tinha recuperado 60% dos movimentos) e Campinas registrou a melhor entre os grandes hubs.

Já do lado das preocupações, os aeroportos que ainda não atingiram 50% do movimento pré-pandemia, estão os aeroportos de Congonhas (embora esse tenha um futuro promissor, mas que em Novembro teve 47% das operações pré-pandemia), Curitiba (que registra 48% dos movimentos), Foz do Iguaçu (44% dos movimentos) e disparadamente a pior do Galeão, que recuperou apenas 36% dos movimentos.

Aeroporto de Belém, dono da melhor recuperação do país. Foto: Antônio Morkazel/Flickr

Esperamos que as boas recuperações atinjam a todo o país, e nisso 2021 aparenta-se promissor. Com a vacina quase chegando, 2021 promete uma recuperação aos níveis pré-pandemia no geral. As empresas brasileiras enfrentaram esse período com grande resiliência e tem tudo para nos dar grandes alegrias, assim como seremos muito felizes voando muito!

Desejo a todos um feliz ano novo, que 2021 seja muito melhor, com muitas coisas boas, sucesso e muitas viagens a todos. Até 2021, pessoal!

22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".