América Fora de Aerovia: JetBlue Airways

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Vamos ao 4º capítulo da série América Fora de Aerovia, e hoje vamos contar a história da JetBlue Airways, fundada por David Neeleman e queridinha da América do Norte!

E pra isso, teremos que contar um pequeno trecho da história de David Neeleman. Ele havia fundado com sucesso sua primeira empresa, a Morris Air. Um tempo depois, a empresa foi vendida para a Southwest Airlines, como contamos na semana passada. David trabalhou por um tempo com os fundadores da Southwest, mas acabou deixando a empresa.

Nisso, ele acabou se voltando para resolver um próprio problema: era a época dos bilhetes de papel, porém ele sempre acabava perdendo esses bilhetes. Cansado de tanto perder bilhetes, ele desenvolveu um sistema de vendas de bilhetes pela internet, além é claro, dos bilhetes online. Além de resolver o próprio problema e assim se certificar de que nunca mais perderia um bilhete, sua invenção, o Open Skies, foi vendido para a HP pela bagatela de 150 milhões de dólares!

América Fora de Aerovia: JetBlue Airways

A partir disso, ele passou a se concentrar no desenvolvimento de uma nova companhia nos Estados Unidos. Inicialmente, foi chamada de NewAir e depois receberia o nome “Taxi”, inclusive com a pintura dos aviões em amarelo, em alusão aos famosos taxis amarelos de Nova York, para assim gerar associação com a cidade. No entanto, a imagem negativa dos táxis da cidade, o fato da palavra também ser usada no tráfego aéreo e a ameaça do JP Morgan de não investir na empresa caso o nome fosse mantido, fizeram com que a idéia fosse abandonada. A cor favorita do David Neeleman é a cor Azul, e assim o nome foi escolhido: JetBlue!

O modelo escolhido para as operações foi o Airbus A320. O destaque, mesmo sendo uma low-cost, viria das comodidades oferecidas: seus aviões teriam entretenimento a bordo, com TV em todos os assentos e rádio via satélite. Além disso, ela teria vários desenhos de cauda diferente, um pra cada aeronave. Além disso, todos os aviões teriam algum nome, sempre envolvendo a palavra “Blue”. No fim de 1999, recebeu slots no Aeroporto John F. Kennedy e em Fevereiro de 2000, foi autorizada pelo Departamento de Transportes a começar a operar.

América Fora de Aerovia: JetBlue Airways

Seus primeiros voos foram em Fevereiro de 2000, voando do JFK para Buffalo e Fort Lauderdale, na Flórida. O que se seguiu foi uma grande escalada de crescimento que nem os atentados de 11 de Setembro e a crise do setor foram capazes de frear o crescimento da JetBlue, que continuou inovando tanto a ponto de provocar respostas da United e da Delta, que fundaram suas companhias de baixo custo para concorrer, sem sucesso.

Além disso, em 2002 ela passou a ter LiveTV em todas as suas aeronaves, oferecendo 36 canais via satélite. Além disso, passou a voar para a República Dominicana, em 2004, fincando assim seus pés pela primeira vez fora dos EUA. No entanto, essa onda já começava a mostrar seu preço: no 4º trimestre de 2005, a empresa sofreu uma perda de 42 milhões, que fez com que a empresa não tivesse sido lucrativa em todo o ano. Em 2006, ela teve de se mexer e lançou um plano para voltar a ser lucrativa. Fez cortes de custos, aumentou a receita e já no 2º trimestre de 2006, deixou de dar prejuízo e anunciou até lucro líquido!

América Fora de Aerovia: JetBlue Airways

Porém, meses depois anunciou outra perda. Assim, vendeu 5 A320 e adiou as entregas de alguns Embraer 190. Além disso, retirou 1 fileira de assentos de seus A320 para poder reduzir o peso das aeronaves e reduzir a quantidade de comissários, de 4 para 3, e assim atender as exigências do FAA, de 1 comissário para cada 50 passageiros. Isso tudo retornou a lucratividade da empresa, e quando ela estava pronta pra voltar ao rumo do lucro e crescimento, veio o Dia dos Namorados de 2007.

Apesar do dia dos namorados ser um dia feliz (desde que você tenha um namorado(a), é claro), esse definitivamente não estava sendo bom dia para os Nova-Iorquinos em geral. Uma nevasca forte caia sobre a cidade e óbviamente, isso chegou ao aeroporto. Vale lembrar que a prática da JetBlue era de NUNCA cancelar voos. Nunca mesmo. E isso incluia uma nevasca, que, como era de se esperar, fechou o aeroporto JFK.

Enquanto as demais companhias cancelaram seus voos, a JetBlue teve a brilhante idéia de aguardar a situação melhorar (o que óbvio, jamais aconteceu naquele dia). Sendo assim, cerca de 1000 passageiros, ao invés de estarem com seus namorados ou conjuges, ou em casa debaixo das cobertas tomando um chocolate quente, estavam dentro de 9 Airbus A320, aguardando melhora. Além disso, haviam os passageiros que estavam dentro dos aeroportos, aguardando o embarque dos voos que não aconteceram. Depois a companhia desistiu de não cancelar voos e cancelou voos com gosto.

América Fora de Aerovia: JetBlue Airways

Esse incidente deu um grande prejuízo de imagem pra JetBlue e causou uma grande turbulência na empresa. Inicialmente, David Neeleman pediu desculpas públicas, mas acabou sendo demitido da empresa pelo Conselho de Diretores e veio pro Brasil fundar a Azul (e talvez pra nós brasileiros, não tenha sido tão ruim assim isso tudo acontecer). A má sorte continuava, por que depois disso, ela recebeu os novíssimos Embraer 190, no entanto, após diversos problemas, ela teve que parar a frota e alugar 4 Embraer 145 da ExpressJet pra operar no lugar. Mas não foram só coisas ruins: ainda naquele ano, a Lufthansa comprou 19% da JetBlue e ambas firmaram acordos operacionais, como codeshares.

No ano seguinte, já em Janeiro, se expandiu para vários locais no Caribe, incluindo St. Maarten. Ali, ela já atendia a 11 destinos no Caribe. Além disso, ela forteleceu suas operações em Orlando, na Flórida. E em uma ação de marketing com o Yahoo, implantou wi-fi em um dos seus A320. Ainda em 2008, deixou de operar no Terminal 6 e passou a operar no Terminal 5 de JFK, que pertencia a lendária TWA e agora era da JetBlue. Em 2009, fez uma mudança em sua marca: o nome JetBlue ganhou maior destaque na fuselagem e o desenho da cauda foi renovado.

Em 2013, a companhia lançou o seu novo serviço Mint, que seria oferecido nos voos Transcontinentais (ou Transcon) e em alguns voos para o Caribe. O serviço começaria no ano seguinte, em 2014, nos Airbus A321 encomendados pela empresa. O serviço tem uma classe executiva com assentos full flatbed, além de ter um espaço maior no geral. Em Junho de 2015, passou a cobrar por malas em algumas classes, deixando a Southwest como a única a não cobrar por elas.

Hoje, a companhia de Nova York está nas graças do cidadão americano em decorrência dos seus bons serviços. Ela tem uma frota de 268 aeronaves, sendo 130 Airbus A320, 67 Airbus A321, 11 A321neo e 60 Embraer 190. Ela tem encomenda para mais 48 A321neo e 70 A220-300. Além dos 2, com advento do A321LR e XLR, ela já planeja voos mais longos. Neste momento, os primeiros A321LR da empresa estão em produção e serão utilizados para seus primeiros voos transatlânticos, partindo de Nova York e Boston para a Europa. Ao todo, ela tem encomendados 13 A321LR e 13 A321XLR. Quem sabe no futuro a irmã mais velha da Azul não faça como sua irmã mais nova (que vai aos EUA) e venha ao Brasil?

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22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".