América Fora de Aerovia: Southwest Airlines, a mãe das low-costs

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Olá pessoal! Hoje vamos continuar a série América Fora de Aerovia aqui no OHM e o episódio é sobre a mãe das empresas low-costs, a Southwest Airlines. A história dela, cercada por muitas inovações, é importantissima e todo mundo que gosta de aviação precisa saber. Então, vamos lá!

A Southwest foi idealizada em 1966, quando Rollin King, dono de uma pequena empresa de transporte aéreo em San Antonio, no Texas, Herb Kelleher, advogado e John Parker, um banqueiro, estavam conversando sobre como era caro voar, e assim, Rollin King propôs a criação de uma linha aérea. Desenharam o esboço da malha aérea: um triângulo entre as cidades de Dallas, San Antônio e Houston, todas no Texas. Vale lembrar que era a época de aviação regulamentada, ou seja, qualquer pedido de operação deveria ser submetido ao CAB (Conselho de Aviação Civil). Assim, a opção de operar apenas no Texas conseguiria driblar essa necessidade. Mas não parava por aí: a intenção era ter uma filosofia voltada a pontualidade, eficiência, serviços bem simples a preços bem baixos (já que nas grandes empresas, até os preços eram determinados pelo governo).

Mas sabem quem não gostou? As grandes companhias aéreas! Braniff, Trans-Texas e Continental levaram o caso para a Suprema Corte do Texas e depois para a Suprema Corte norte-americana, em uma pendência judicial que levou 3 anos para ser resolvida. Por fim, em 1970, tanto o Texas quanto a Suprema Corte federal reconheceram o direito da Southwest de operar daquela forma. Sendo assim, a empresa começou tendo como premissa os baixos preços. O direito de praticá-los, ela conseguiu. Agora, era necessário que eles colocassem em prática.

Assim, definiram por prestar um serviço sem o luxo das maiores, mas com algumas amenidades, como amendoim e refrigerante apenas. Além disso, a idéia era usar aeroportos alternativos, menores e mais voos ponto a ponto, ao invés do modelo de hub. O modelo de avião seria apenas um: o Boeing 737. Com todas essas novidades, a empresa começou a operar em 18 de Junho de 1971, operando nas 3 cidades em que tinha se proposto, com 4 Boeing 737-200 e cobrando passagens baratissimas, de até 20 dólares!

América Fora de Aerovia: Southwest Airlines, a mãe das low-costs

No entanto, apesar das baixas tarifas, a empresa não decolou. A estratégia foi revista e toda a sua comunicação foi baseada no amor. A seleção das comissárias (sim, apenas comissáriAS, nada de comissários homens!) já haviam sido feitas focando na beleza, foram selecionadas apenas mulheres com pernas longas. Agora os uniformes delas passaram a ser bem curtos, sendo ou vestidos curtos ou shorts e salto alto, pensando em atrair o público masculino. E elas não eram chamadas de aeromoças (como era comum até o começo dos anos 2000) ou comissárias, e sim Love Hostees, ou Aeromoças do Amor! E não ficava só nisso, os aviões eram os “Pássarmos do Amor”, as bebidas eram as “Poções do amor” Inclusive, isso era levado para as publicidades, com slogans como “Agora há mais alguém lá em cima que gosta de você”.

Apesar disso, os prejuízos continuavam em 1972, mas a criatividade e o espírito de servir dos funcionários salvaram as empresa. A malha era feita para rodar com 4 aviões, mas com os prejuízos, decidiram vender 1 avião para manter a folha salarial. Até aí tudo bem, só tinha uma coisa: malha ainda era feita pra rodar com 4 aviões. Assim, os diretores da empresa chamaram os funcionários e proporam reduzir o tempo de trânsito das aeronaves para 10 MINUTOS! Todos os funcionários toparam e assim pilotos passaram a apoiar no abastecimento, as comissárias na limpeza, o pessoal de solo e dos aeroportos deram a sua devida contribuição e esse tempo foi possível, com um grande trabalho em grupo dos funcionários!

América Fora de Aerovia: Southwest Airlines, a mãe das low-costs

Ainda em 1972, lançou sua revista de bordo, Spirit, mas enfrentou mais problemas judiciais com suas concorrentes, que agora queriam a impedir de aumentar os serviços. Em 1975, adicionou a cidade de Haarlingen a sua malha, conseguindo finalmente se expandir. E para a alegria não só da Southwest, como da Alaska (que citamos na semana passada), em 1978 veio a desregulamentação do setor. Se antes, as companhias tinham que pedir autorização do governo para operarem, ou operar somente dentro dos estados, agora elas podiam voar para onde quisessem, na frequência que quisessem, nos horários que quisessem e cobrando o preço que quisessem! Assim, a Southwest poderia voar de Dallas para todo o país, certo? Errado!

Desde os anos 60, as cidades de Dallas e Fort Worth disputavam pelo tráfego da região, Dallas com Love Field e Fort Worth com o Greather Southwest. Assim, o CAB fez com que as 2 construissem conjuntamente um aeroporto novo, o Dallas-Fort Worth (DFW), que hoje é o principal aeroporto da American Airlines. Porém, a construção dos 2 obrigava que qualquer aeroporto fosse fechado, incluindo Love Field que era o principal aeroporto da Southwest. Para contornar isso, foi levantada em 1979 a Emenda Wright, para atrapalhar a vida da Southwest e de quem mais tentasse a sorte em Love Field. Entre as restrições, ela não poderia operar para fora de seus estados vizinhos (Arkansas, Louisiana, Novo México e Oklahoma). Além disso, ela não poderia operar com aeronaves com mais de 56 assentos, nem vender voos para um desses estados com conexão para o resto do país.

Com isso, ela foi se desenvolvendo ao longo dos anos a partir de Houston, chegando a cidades como Denver, Litlle Rock, St. Louis, Chicago, Nashville, Detroit e outras cidades. Em 1980, ela contratou seu primeiro piloto negro, Louis Freeman. 12 anos depois, ele se tornou o primeiro a ocupar o cargo de piloto-chefe entre as grandes companhias do país. Em 1981, ela foi processada por contratar apenas comissárias de bordo e agentes de vendas de passagens. Agora, ela também deveria contratar homens para essas funções.

América Fora de Aerovia: Southwest Airlines, a mãe das low-costs

Sua fidelidade com o Boeing 737 continuava e ela se tornou a cliente lançadora do 737-300, recebendo sua primeira unidade no fim de 1984. Em 1985, adquiriu a MuseAir, que foi renomeada como TranStar Airlines, operando de forma independente, mas depois ela foi vendida para a Texas Air. Em 1993, a Southwest adquiriu a Morris Air, a primeira empresa de David Neeleman. Nesse período, Neeleman trabalhou com a Southwest, mas saiu um tempo depois para fundar a bem-sucedida JetBlue, a qual falaremos semana que vem. Em março de 1995, abriu seu primeiro site, com outro endereço, mudando depois para o atual. 10 anos depois, as reservas feitas por lá eram boa parte do total de reservas da empresa.

Nos anos 2000, começaram diversas tentativas de driblar a Emenda Wright. Com o advento dos jatos regionais, as empresas maiores estavam partindo para cima da Southwest com suas unidades regionais. Finalmente, em 2006, após a luta da Southwest, a emenda foi parcialmente revogada, porém as restrições ficaram pelo número de portões, que eram limitados.

Em 2005, o 737-200, modelo que havia trazido a empresa até a aquele patamar, foi finalmente aposentado. Como não poderia deixar de ser, o último voo foi cumprindo a primeira rota da empresa e os tripulantes estavam vestindo pijamas durante o voo, pois segundo a empresa, a aeronave estava sendo posta para dormir. Em 2008, comprou ativos da America TransAir, a ATA, para ampliar a presença no aeroporto LaGuardia, em Nova York. 3 anos depois, adquiriu a AirTran e ambas foram integradas ao longo dos anos, compartilhando várias sinergias e dando acesso a Southwest a vários mercados.

No ano de 2012, ela pediu autorização para expandir o aeroporto Hobby, em Houston, para ofertar seus primeiros voos internacionais em 2015. Ainda em 2012, entrou na frota o Boeing 737-800, com maior capacidade em relação ao 737-700. Na mesma época, se tornou cliente de Lançamento do Boeing 737 Max 8 e do 737 Max 7. Em 2014, finalmente a Emenda Wright caiu por completo e ela pôde finalmente voar sem restrições a partir de Love Field. Em 2017, recebeu o primeiro Boeing 737 Max 8 e aposentou seus 737-300 e 737-500.

Hoje, do alto de sua frota de 734 aeronaves, sendo 493 Boeing 737-700, 207 Boeing 737-800 e 34 Boeing 737 Max 8, e do posto de maior operadora do Boeing 737 no mundo e uma das que mais recebeu unidades do modelo na história, a companhia enfrentou e venceu todos os percalços, tornando-se vitoriosa. Sempre é classificada como uma das melhores empresas dos Estados Unidos com um baixo nível de reclamações, é a única empresa a fornecer bagagens free no país e tem a política de remarcação mais flexível.

Seu modelo hoje é inspiração para várias companhias aéreas low-cost, incluindo as famosas européias Ryanair e easyJet e aqui no Brasil, a Gol Linhas Aéreas. O modelo ao longo do tempo foi copiado e modificado, mas sem dúvidas temos que reconhecer que todas as empresas do mundo e todas as pessoas que já entraram em um avião comercial, adotam e desfrutam de inovações que foram propostas e adotadas ao longo dos anos pela Southwest em seus quase 50 anos de existência.

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22 anos, Belo Horizonte/MG. Apaixonado por aviação e viagens no geral, principalmente viagens aéreas. "A experiência faz pela alma o que a educação faz pela mente".